ANA ISABEL MADUREIRA (Serviço de Saúde Ocupacional, Unidade Local de Saúde de Santa Maria) , LUÍS GALAIO (Serviço de Saúde Ocupacional, Unidade Local de Saúde de Santa Maria, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa), EMA SACADURA LEITE (Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa)
Introdução
A radiação ionizante (RI) desempenha um papel indispensável na prática médica moderna, sendo amplamente utilizada em procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Em Medicina, a exposição a radiação ionizante de profissionais de saúde inclui essencialmente o uso de raios X e, também, de radioisótopos, com aplicações indispensáveis no diagnóstico e tratamento de várias condições clínicas.
A radiação ionizante associada aos raios X é uma energia sob a forma de onda eletromagnética, que tem energia suficiente para interagir com a matéria e ionizar moléculas nos tecidos biológicos. Quanto à natureza do dano, a exposição à RI pode causar dois tipos principais de efeitos sobre a saúde humana: efeitos determinísticos e efeitos estocásticos. Os primeiros apresentam um limiar de dose abaixo do qual não se manifestam. Contudo, quando este limiar é excedido, a gravidade do efeito aumenta proporcionalmente à dose recebida. Estes efeitos resultam de danos extensivos a células e tecidos (perda de função e morte celular) incluindo, por exemplo, queimaduras por radiação, aplasia medular e catarata rádica. Por outro lado, para os efeitos estocásticos, não é possível estabelecer um limiar podendo, teoricamente, ocorrer mesmo em doses muito baixas. Contudo, a probabilidade da sua ocorrência aumenta com a dose acumulada, apesar da gravidade do efeito ser independente da dose recebida. Estes efeitos são associados a alterações aleatórias no ácido desoxirribonucleico (ADN) celular, podendo resultar em mutações genéticas em células que mantém a sua capacidade replicativa. Quando ultrapassados os mecanismos de reparação celular, as mutações cumulativas poderão estar na base de efeitos como cancro ou efeitos hereditários na descendência.
Entre a diversidade de equipamentos emissores de raios X usados em meio hospitalar, destacam-se os equipamentos de fluoroscopia, essenciais para a realização de muitos procedimentos diagnósticos e terapêuticos que, contudo, podem associar-se a riscos potenciais para a saúde, não só para os doentes que beneficiam desses procedimentos, mas também para os profissionais de saúde expostos à radiação ionizante de forma prolongada em ambiente laboral. Na atualidade, são muitas as especialidades médicas e cirúrgicas que fazem uso deste tipo de equipamentos, nomeadamente a cardiologia e a radiologia de intervenção, mas também outras como são exemplos a cirurgia vascular, a urologia, a ortopedia, a nefrologia e a gastroenterologia.
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