O que ninguém te diz sobre gerir um SGSPAG numa instalação seveso de nível superior

2026-02-13

Há uma ideia sedutora e, por isso, muito frequente em organizações que já trabalham com um sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho bem estruturado: se já existe disciplina de liderança, planeamento, controlo operacional, auditorias internas, ações corretivas e revisão pela gestão, então bastará “acrescentar” as obrigações do regime europeu de acidentes graves e o assunto fica resolvido. Essa ideia é compreensível, porque ambos os universos usam a linguagem da gestão e exigem evidência. Mas é enganadora e pode ser perigosa.

Gerir um sistema de gestão de segurança para a prevenção de acidentes graves num estabelecimento com obrigações reforçadas não é uma versão “mais pesada” da gestão de segurança e saúde no trabalho. É a gestão de um tipo de risco diferente: um risco raro, de baixa frequência e elevada consequência, com potencial para afetar pessoas, ambiente, continuidade operacional e reputação institucional num único evento.

A diferença essencial não é o volume de documentação; é o objeto real de controlo. Na segurança e saúde no trabalho ocupacional, o centro de gravidade é a tarefa, a exposição, o posto de trabalho e a interação diária entre pessoas, equipamentos e organização. Na prevenção de acidentes graves, o centro de gravidade é o processo e o inventário de substâncias perigosas, a integridade de equipamentos, a instrumentação de segurança, os estados operacionais anormais, as transições operacionais e a capacidade de o sistema resistir à degradação e à mudança.

Este artigo foi escrito para técnicos superiores de segurança.

 

Ricardo Peixoto
Chefe de Serviço do Gabinete de Prevenção e Segurança da EDA Renováveis S.A.
Especialista em Sistemas Integrados ISO 45001 & ISO 14001
Gestão de Riscos, ATEX, SCIE & SEVESO
Liderança em Segurança no Setor Energético