A trágica ironia da complacência na História – Titanic vs Titan

2026-02-13

Titanic: O Gigante Inafundável

Poucas histórias simbolizam tão bem o paradoxo humano entre inovação e risco quanto a do RMS Titanic (1912) e a do submersível Titan (2023). Separados por mais de um século, os dois episódios trágicos expõem um constante comum: a complacência perante a tecnologia e a desvalorização de normas, regras e alertas de segurança, com consequências fatais.

No início do século XX, o RMS Titanic foi apresentado como um prodígio da engenharia naval, “o navio inafundável”. Um verdadeiro triunfo construído pela Harland & Wolff para a White Star Line, assente numa confiança reforçada pela utilização de compartimentos estanques. Este nível de confiança cega alimentou decisões que se revelaram desastrosas. O resultado é conhecido: mais de 1.500 vidas perdidas numa noite que marcou a memória do mundo e alterou profundamente as normas de segurança marítima.

As falhas foram tanto técnicas quanto humanas bem como nas normas reguladoras: uma confiança excessiva nas capacidades da engenharia, ausência de revisão normativa e desprezo por alertas externos. O naufrágio levou à morte de mais de 1.500 pessoas e, em resposta, originou a Convenção SOLAS (International Convention for the Safety of Life at Sea, 1914), sendo ainda hoje um dos três pilares para a base do direito marítimo internacional.

O desastre revelou um sem número de falhas múltiplas, o verdadeiro efeito dominó numa reação em cadeia com um único destino, o resultado catastrófico. A legislação marítima britânica, regulada pelo Board of Trade, apenas exigia

 

Luís Calçarão
Técnico Especialista em Segurança e Saúde do Trabalho
Gestor de Segurança e Saúde do Trabalho
Auditor em Sistemas de Gestão